Dessa vez eu queria falar sobre três coisas. Coisas diferentes. Que não tem ligação nenhuma, na verdade. A única coisa que elas tem em comum é o fato delas terem me feito refletir para o mesmo propósito. Refletir sobre ela e usar isso como um pequeno presente.
Uma das coisas sobre o que eu queria falar é sobre saudade. Eu já falei disso algumas vezes aqui. Coisas expressadas pela palavra "saudade" e não pelo sentimento e de coisas que me fazem sentir saudade. Porém, dessa vez eu quero falar de uma saudade diferente.
Não faz muito tempo que me sinto assim. Nesse estado transitório entre acertos e erros. E me encontro assim por estar apaixonado. Mesmo sendo uma paixão tão diferente das outras, tem uma coisa que eu senti poucas vezes. Que é essa saudade repentina. Uma saudade boba que faz você sentir falta de algo, mas com uma variação de tempo muito menor do que a normal.
Eu já não me sentia assim tinha muito tempo. Essa saudade me fez falta, mas eu nunca pude me dar conta disso até estar com ela. E agora me dei conta de que não foi o regresso dessa saudade que me fez notá-la, foi me apaixonar por ela. Uma paixão tão repentina e que está tão gostosa. Uma paixão que faz eu sentir essa saudade boba. Saudade trazida pelo simples fato de estar horas sem o abraço dela e parecer que são semanas. Bom, acho que isso é o que mostra uma paixão verdadeira.
O outro assunto que eu quero abordar é como essa paixão me fez reparar em coisas que eu nunca reparei. E dessa vez eu me pegar pensando nela sem nem mesmo notar. Apenas por fazer uma ponte entre um pensamento qualquer e ela.
O exemplo disso foi um filme que vi por esses dias. Um filme que eu já havia visto inúmeras vezes. Mas que dessa vez eu vi e acabei pensando nela pelo simples fato de sentir a falta dela.
No decorrer do filme eu me lembrei de cenas e falas, mas uma parte dele me lembrou dela por somente uma frase. A frase colocada no contexto do filme não faz o menor sentido, pois não expressa nenhum sentimento que lembrasse dela exatamente. O sentimento retratado é de orgulho e não é nada relacionado a ponte que eu fiz até pensar nela.
A frase dita era a resposta de uma pergunta. Pergunta que não vem ao caso, pois não importa. O importante foi a resposta. A resposta foi: "todos os dias". No momento em que eu li na legenda do filme essa frase, eu lembrei dela e construí uma pergunta diferente da feita. A pergunta que eu fiz pra mim mesmo foi: "você pensa muito nela?".
E eu queria dizer para ela isso nesse dia que não dá pra deixar de pensar sendo nosso como de tantos outros casais. Um dia piegas, clichê e capitalista. Um dia também perfeito pra dizer que você é apaixonante e que tudo escrito aqui é pra fazê-la sorir, pois você fez eu me sentir assim tão bobo e cativado quanto você. Feliz dia dos namorados.
sábado, 12 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Cartas de atos.
Era uma tarde de domingo e eu estava voltando para casa de uma longa viagem. Foi uma viagem cheia de conflitos e problemas. No começo, foi uma viagem para melhorar a minha carreira como escritor. Porém, as histórias sempre acabavam sendo muito mais melancólicas do que deveriam ou até mesmo com pouco sal. Eu acabava me vendo sempre em uma rua sem saída. Isso me deixou frustrado.
Depois de longos meses incomunicável e soterrado de problemas me vi livre. Finalmente pude aproveitar o vento batendo no meu rosto de um belo dia de sol. E lá estava eu aproveitando a minha viagem de volta para casa com apenas uma coisa em mente. Poder rever aqueles olhos tão meigos que tanto me faziam sonhar. Eu que tive tanto o que escrever para ela, não pude enviar se quer uma carta, mas por fim entregaria.
Depois de três dias viajando de carro cheguei em casa. Minha família mal podia esperar para me ver depois de tanto tempo. Meus amigos também não podiam esperar. Eu mal havia chegado em casa e já estavam fazendo uma festa. No final da festa após conversar com todos, eu me dei conta que não ouvi nada além de "Você está mudado. Está melhor.". E eu, de fato estava melhor. Não pelo que eu passei, mas pelo presente onde me encontrava.
Passaram-se alguns dias e eu fui ao encontro dela. O clima já era outro. Estava nublado com nuvens carregadas, mas não parecia que choveria. Ou eu que quis acreditar nisso. A meteorologia disse que não iria e, por algum motivo, eu acreditei. Não devia, pois era um equivoco. E eu, que mesmo levando o guarda-chuva, não consegui me manter seco.
Quando consegui finalmente chegar na varanda dela, estava completamente molhado. Parecia um louco por estar com um guarda-chuva na mão e estar ensopado. Ela ao perceber isso riu e me convidou para entrar. Eu tirei aquelas roupas molhadas e ela me emprestou algumas que estavam secas e comecei a contar sobre a viagem. Ela ria, ficava séria e em nenhum momento pareceu desinteressada. Isso me cativou.
Depois de conversar com ela por algumas horas, eu fui buscar as cartas que tinha escrito para ela. Eis que eu me deparo com os papeis já não mais brancos. Todos eles tinham se tornado azuis ou pretos. A chuva os manchou completamente. E eu me senti um bobo de estar olhando para aqueles papeis sem saber o que dizer.
Ela me olhou, deu um sorriso breve e jogou as cartas fora. Ao voltar para a sala de estar e sentarmos para terminar o café, ela me pergunta o que tinha naquelas cartas. Eu comecei a falar tudo que eu lembrava, mas não era em ordem cronológica. Por fim pareciam idéias avoadas e sem sentido.
Ela acabou me olhando com uma feição no rosto de desentendimento e ao tentar me ajudar e acabou com mãos tão atadas quanto as minhas. Quando eu percebi que eu não estava conseguindo sair do ponto zero eu resolvi resumir. Eu pedi para que ela esquecesse tudo que eu havia falado sobre as cartas e perguntei se ela se lembrava como eram as coisas que eu escrevia. Ela disse que se lembrava perfeitamente. Então perguntei se ela achava que era algo que desse prazer de se ler. Ela, novamente, respondeu que sim. E eu concluí dizendo, enfim: "Pois, bem. Se tudo que você leu escrito por mim eu disse que era bom. Imagine as cartas como as coisas mais lindas que eu já escrevi. Coisas que eu só poderei te fazer entender realmente estando ao seu lado e te mostrando a cada dia que se passar quais eram tais palavras.”.
Ela deu um sorriso com um toque de lisongeio e de doçura. O depois disso, foi a história que estava naquelas cartas sendo escrita. Uma história que foi feita de momentos sentidos por uma só pessoa, que se tornariam momentos vividos por duas.
Depois de longos meses incomunicável e soterrado de problemas me vi livre. Finalmente pude aproveitar o vento batendo no meu rosto de um belo dia de sol. E lá estava eu aproveitando a minha viagem de volta para casa com apenas uma coisa em mente. Poder rever aqueles olhos tão meigos que tanto me faziam sonhar. Eu que tive tanto o que escrever para ela, não pude enviar se quer uma carta, mas por fim entregaria.
Depois de três dias viajando de carro cheguei em casa. Minha família mal podia esperar para me ver depois de tanto tempo. Meus amigos também não podiam esperar. Eu mal havia chegado em casa e já estavam fazendo uma festa. No final da festa após conversar com todos, eu me dei conta que não ouvi nada além de "Você está mudado. Está melhor.". E eu, de fato estava melhor. Não pelo que eu passei, mas pelo presente onde me encontrava.
Passaram-se alguns dias e eu fui ao encontro dela. O clima já era outro. Estava nublado com nuvens carregadas, mas não parecia que choveria. Ou eu que quis acreditar nisso. A meteorologia disse que não iria e, por algum motivo, eu acreditei. Não devia, pois era um equivoco. E eu, que mesmo levando o guarda-chuva, não consegui me manter seco.
Quando consegui finalmente chegar na varanda dela, estava completamente molhado. Parecia um louco por estar com um guarda-chuva na mão e estar ensopado. Ela ao perceber isso riu e me convidou para entrar. Eu tirei aquelas roupas molhadas e ela me emprestou algumas que estavam secas e comecei a contar sobre a viagem. Ela ria, ficava séria e em nenhum momento pareceu desinteressada. Isso me cativou.
Depois de conversar com ela por algumas horas, eu fui buscar as cartas que tinha escrito para ela. Eis que eu me deparo com os papeis já não mais brancos. Todos eles tinham se tornado azuis ou pretos. A chuva os manchou completamente. E eu me senti um bobo de estar olhando para aqueles papeis sem saber o que dizer.
Ela me olhou, deu um sorriso breve e jogou as cartas fora. Ao voltar para a sala de estar e sentarmos para terminar o café, ela me pergunta o que tinha naquelas cartas. Eu comecei a falar tudo que eu lembrava, mas não era em ordem cronológica. Por fim pareciam idéias avoadas e sem sentido.
Ela acabou me olhando com uma feição no rosto de desentendimento e ao tentar me ajudar e acabou com mãos tão atadas quanto as minhas. Quando eu percebi que eu não estava conseguindo sair do ponto zero eu resolvi resumir. Eu pedi para que ela esquecesse tudo que eu havia falado sobre as cartas e perguntei se ela se lembrava como eram as coisas que eu escrevia. Ela disse que se lembrava perfeitamente. Então perguntei se ela achava que era algo que desse prazer de se ler. Ela, novamente, respondeu que sim. E eu concluí dizendo, enfim: "Pois, bem. Se tudo que você leu escrito por mim eu disse que era bom. Imagine as cartas como as coisas mais lindas que eu já escrevi. Coisas que eu só poderei te fazer entender realmente estando ao seu lado e te mostrando a cada dia que se passar quais eram tais palavras.”.
Ela deu um sorriso com um toque de lisongeio e de doçura. O depois disso, foi a história que estava naquelas cartas sendo escrita. Uma história que foi feita de momentos sentidos por uma só pessoa, que se tornariam momentos vividos por duas.
A falta de racionalidade me espanta.
Esses dias eu não tive muito o que me fizesse querer escrever. Todos os meus pensamentos tinham um foco e eu os dividi com quem estava contido nos mesmos. Eis que eu me deparei hoje com um pensamento bobo que já havia tido outras vezes. A simples pergunta: "por que algumas pessoas gostam de parecer idiotas?".
É uma pergunta meio sem sentido, pois eu acredito que ninguém goste de parecer um imbecil. Mas tem gente que faz sem nem perceber. Se eu faço ou fiz e não percebo, eu sou tão "comum" quanto essas pessoas, mas o caso não é esse. O caso é que para uma pessoa que não tem esse costume é muito estranho. Você vê alguém agindo assim e vê a estupidez que é aquilo.
Quando você vê um bebê, por exemplo, você vai falar algo com a criança e fica fazendo "voz de bebê". O que diabos é "voz de bebê”? Você fala errado, totalmente enrolado e fica fazendo cara de idiota pra ver a reação da criança. Aí ela ri. É meio obvio. Se ponha no lugar da criança. Você também não riria dessa idiotice? E isso também acontece com cachorros. Isso me deixa mais impressionado. Você age assim e espera uma resposta do animal. Falando normalmente o bicho já não faz. Falando que nem "bebê" ele vai entender? Creio que não.
Mas o que eu mais acho incrível é quando um casal começa com essa história de onomatopéias estranhas. Não é possível a paixão, amor, ternura, enfim, não é possível que isso ludibrie completamente a sanidade mental da pessoa. Não tem como você estar mentalmente sóbrio e fazer algo como essa voz citada anteriormente. É muito idiota.
Ou quando não chega a ponto das onomatopéias, mas das comparações. Comparar a mulher a flores, comparar a animais julgados "fofos" ou a poemas. Precisa virar homossexual pra comparar a sua mulher? Ou não, beleza, você apenas quer fazer uma comparação e a compara a algo que ela gosta. Nada de errado com isso. Mas eu nunca vi um homem comparando a mulher a algo que gosta (carros, jogos, filmes, musicas) que mostrassem muito mais masculinidade e não parecesse uma piada.
Concluindo, eu não entendo de jeito nenhum como isso é proveitoso em um namoro. Onomatopéias e comparações sem sentido. Em vez de usar "voz de bebê" tente apenas dizer com uma voz calma que a ama. Você atingirá o mesmo ponto e não parecerá um idiota. E não a compare a coisas idiotas tais como "animais fofos". Deus do céu, homem, diga apenas que não existe alguém como ela. É a mais pura verdade biologicamente e sentimentalmente. Você não se passa por nada e ainda consegue um sorriso dela.
É uma pergunta meio sem sentido, pois eu acredito que ninguém goste de parecer um imbecil. Mas tem gente que faz sem nem perceber. Se eu faço ou fiz e não percebo, eu sou tão "comum" quanto essas pessoas, mas o caso não é esse. O caso é que para uma pessoa que não tem esse costume é muito estranho. Você vê alguém agindo assim e vê a estupidez que é aquilo.
Quando você vê um bebê, por exemplo, você vai falar algo com a criança e fica fazendo "voz de bebê". O que diabos é "voz de bebê”? Você fala errado, totalmente enrolado e fica fazendo cara de idiota pra ver a reação da criança. Aí ela ri. É meio obvio. Se ponha no lugar da criança. Você também não riria dessa idiotice? E isso também acontece com cachorros. Isso me deixa mais impressionado. Você age assim e espera uma resposta do animal. Falando normalmente o bicho já não faz. Falando que nem "bebê" ele vai entender? Creio que não.
Mas o que eu mais acho incrível é quando um casal começa com essa história de onomatopéias estranhas. Não é possível a paixão, amor, ternura, enfim, não é possível que isso ludibrie completamente a sanidade mental da pessoa. Não tem como você estar mentalmente sóbrio e fazer algo como essa voz citada anteriormente. É muito idiota.
Ou quando não chega a ponto das onomatopéias, mas das comparações. Comparar a mulher a flores, comparar a animais julgados "fofos" ou a poemas. Precisa virar homossexual pra comparar a sua mulher? Ou não, beleza, você apenas quer fazer uma comparação e a compara a algo que ela gosta. Nada de errado com isso. Mas eu nunca vi um homem comparando a mulher a algo que gosta (carros, jogos, filmes, musicas) que mostrassem muito mais masculinidade e não parecesse uma piada.
Concluindo, eu não entendo de jeito nenhum como isso é proveitoso em um namoro. Onomatopéias e comparações sem sentido. Em vez de usar "voz de bebê" tente apenas dizer com uma voz calma que a ama. Você atingirá o mesmo ponto e não parecerá um idiota. E não a compare a coisas idiotas tais como "animais fofos". Deus do céu, homem, diga apenas que não existe alguém como ela. É a mais pura verdade biologicamente e sentimentalmente. Você não se passa por nada e ainda consegue um sorriso dela.
sábado, 15 de maio de 2010
"Não desfoque esse sentimento."
Uma coisa que eu nunca entendi direito é o simples conceito da palavra "saudade". Ao meu ver, essa simples palavra expressa um sentimento de perda. Você sente falta de algo. Simples assim. Não só sente falta de coisas que perdeu, como falta de algo que você sabe que possui, mas naquele momento não está presente.
E assim, eu acreditava que era esse conceito. Achei que fosse uma definição universal, mas vi no fim das contas que não é. Existem definições variadas dessa palavra tão comum. E, além de definições, existem coisas que você expressa, com essa simples palavra, que não sugerem que você sente falta de algo simplesmente.
Um conceito que eu nunca entendi dessa palavra é o que eu chamo de "inexistente". É basicamente quando a pessoa diz que sente a sua falta, mas não faz questão de te ver. Ela te diz algo como: "Oi! Que saudade!”, e morre por aí. Ela não tenta dar um jeito nisso. Ela simplesmente diz que sente algo por seja lá qual o motivo, mas não quer que nada mude. Não é uma posição tomada por comodidade, preguiça, ou algo parecido. É só um sentimento que não faz a pessoa sentir nada. Ou se sente, não vê um motivo bom o suficiente para deixar de sentir. Isso me faz não conseguir entender como isso pode fazer sentido para alguém. Enfim...
Quanto a alguma coisa expressa pela palavra "saudade", que não significa saudade, eu tenho mais de um exemplo. Um deles é simples. Quando a mulher te diz que sente saudade da época que vocês estavam juntos, mas dizendo que foi melhor o término. Meio complicado? Eu vou explicar. Em vez de ser ouvido: "saudade de você" a mulher tenta assumir uma posição de rancor e diz algo como: "ainda bem que não estamos mais juntos". Isso é um sinal cristalino de saudade. Eu chamo de "saudade ridícula", pois é estúpido quando tem essa finalidade. Uma mera atmosfera negativa criada para dizer algo tão legal. Seria mais fácil não dizer nada em vez de desfigurar um seintimento que carrega tanta ternura.
Outro exemplo é o que eu chamo de "saudade disfarçada". É quando a pessoa te fala: "estou com saudades", mas querendo dizer: "você sente a minha falta?". Eu acho isso idiota. É tão ruim dizer essa segunda frase? Quem disse que assumir a posição de carência que você se encontra é se rebaixar? Você está deixando de vestir uma máscara. Isso deveria ser bom, mas não é. Você prefere camuflar o seu sentimento através de outro. Certas vezes sem nem notar, outras completamente ciente.
O caso é que eu não procuro usar esse sentimento de uma outra maneira. Procuro seguir esse conceito simples. Ficar criando conceitos alternativos é besteira. Isso não vai me fazer mais único que ninguém. Só mais complicado. E, assim, eu digo com nenhum pingo de dúvida que eu sinto saudade de muitas coisas. E, somente sinto isso por querer voltar no tempo e viver cada uma dessas memórias que me fazem sentir o que sinto. Pois, do que seria feita uma saudade se não fosse a vontade de reviver um certo momento, de provar um certo beijo, ou de dizer mais uma vez "te amo”? Eu te digo o que seria. Seria um sentimento com esse nome, mas que expressasse outra coisa. Qualquer uma, menos saudade.
E assim, eu acreditava que era esse conceito. Achei que fosse uma definição universal, mas vi no fim das contas que não é. Existem definições variadas dessa palavra tão comum. E, além de definições, existem coisas que você expressa, com essa simples palavra, que não sugerem que você sente falta de algo simplesmente.
Um conceito que eu nunca entendi dessa palavra é o que eu chamo de "inexistente". É basicamente quando a pessoa diz que sente a sua falta, mas não faz questão de te ver. Ela te diz algo como: "Oi! Que saudade!”, e morre por aí. Ela não tenta dar um jeito nisso. Ela simplesmente diz que sente algo por seja lá qual o motivo, mas não quer que nada mude. Não é uma posição tomada por comodidade, preguiça, ou algo parecido. É só um sentimento que não faz a pessoa sentir nada. Ou se sente, não vê um motivo bom o suficiente para deixar de sentir. Isso me faz não conseguir entender como isso pode fazer sentido para alguém. Enfim...
Quanto a alguma coisa expressa pela palavra "saudade", que não significa saudade, eu tenho mais de um exemplo. Um deles é simples. Quando a mulher te diz que sente saudade da época que vocês estavam juntos, mas dizendo que foi melhor o término. Meio complicado? Eu vou explicar. Em vez de ser ouvido: "saudade de você" a mulher tenta assumir uma posição de rancor e diz algo como: "ainda bem que não estamos mais juntos". Isso é um sinal cristalino de saudade. Eu chamo de "saudade ridícula", pois é estúpido quando tem essa finalidade. Uma mera atmosfera negativa criada para dizer algo tão legal. Seria mais fácil não dizer nada em vez de desfigurar um seintimento que carrega tanta ternura.
Outro exemplo é o que eu chamo de "saudade disfarçada". É quando a pessoa te fala: "estou com saudades", mas querendo dizer: "você sente a minha falta?". Eu acho isso idiota. É tão ruim dizer essa segunda frase? Quem disse que assumir a posição de carência que você se encontra é se rebaixar? Você está deixando de vestir uma máscara. Isso deveria ser bom, mas não é. Você prefere camuflar o seu sentimento através de outro. Certas vezes sem nem notar, outras completamente ciente.
O caso é que eu não procuro usar esse sentimento de uma outra maneira. Procuro seguir esse conceito simples. Ficar criando conceitos alternativos é besteira. Isso não vai me fazer mais único que ninguém. Só mais complicado. E, assim, eu digo com nenhum pingo de dúvida que eu sinto saudade de muitas coisas. E, somente sinto isso por querer voltar no tempo e viver cada uma dessas memórias que me fazem sentir o que sinto. Pois, do que seria feita uma saudade se não fosse a vontade de reviver um certo momento, de provar um certo beijo, ou de dizer mais uma vez "te amo”? Eu te digo o que seria. Seria um sentimento com esse nome, mas que expressasse outra coisa. Qualquer uma, menos saudade.
domingo, 11 de abril de 2010
O que importou foi a promessa cumprida.
Hoje é dia 09 de abril de 2010. Eu só consegui dormir devido ao cansaço e às calmarias seguidas da exaustão. Não há intervalos extensos entre um confronto e outro, eu já não creio muito em uma vitória.
A situação do meu batalhão é precária, pois estamos envolvidos pela fome e pelo desgaste. Um dos nossos melhores atiradores foi abatido ontem pela tarde. Ele continua nos apoiando na batalha, mas não acho que ele vá conseguir sobreviver.
As perdas estão mais constantes que nunca. A vitória está nos deixando a cada minuto, mas estamos honrando as nossas posições diante da batalha. Dois de nossos companheiros não conseguiram se salvar. A cada momento o soldado Saudade fala sobre eles. Foi o cabo Determinação e o tenente Inspiração que foram atingidos. Dois bons soldados que não sobreviveram.
Eu estou tentando fazer com que meus homens não se abalem, mas está complicado. Essa tarefa não parece ter um modo certo para que eu consiga. Nós que, como soldados, prometemos honrar o nosso uniforme e realizar uma missão estamos hesitando. Repensando sobre valores e metas. Escutei um tiro. É o aviso que outra luta está por vir.
Hoje é dia 10 de abril de 2010. Eu fui abatido. A única coisa que me mantém são é conversar com meus companheiros e focar na minha escrita. A morfina já está acabando e eu não sei como será quando eu sentir essa dor toda.
A batalha de ontem foi muito difícil. Parece que a cada dia surgem mais reforços e novos meios de ataques. Com isso, perdemos mais um bom soldado. Um amigo do soldado Saudade. Este, que não se conforma com a perda. Era o soldado que mais motivava o grupo. O nome desse bravo soldado era Paixão.
A cada dia que passa um de nós é morto na troca de tiros ou até mesmo por um descuido durante a noite. Isso me preocupa. O meu batalhão diminuiu drasticamente em dois dias. E ainda temos que segurar as tropas vindas do norte.
Dia 11 de abril de 2010. As tropas chegaram com reforços e salvaram o meu batalhão. Foi uma bela manhã de domingo. Nós acabamos cumprindo a nossa missão. É uma vitória que não se compara com a guerra, mas nos faz ser duplamente vencedores. Nós vencemos e sobrevivemos.
Meu batalhão volta para a base. O grupo era formado por 15 homens. Agora só restam 3. Uma pena terem morrido tantos bons homens, mas ao menos os que sobraram honraram a morte dos outros.
E eu que fui abatido ontem escrevi isso sem saber do dia de hoje. Eu somente apostei que isso se realizasse. Talvez eu nem tenha acertado. Talvez meramente me prendi a um sonho que tive minutos antes da morfina acabar e eu saber que ia morrer. Agora eu estou entre os companheiros que deixaram a batalha.
O que me deixa triste é que em guerras não existem lapides. Mas se a minha família quiser comprar uma que seja simbólica eu gostaria que estivesse escrito:
Esperança
2009 - 2010
"Abatido em combate para salvar seus companheiros."
Quem eu salvei? Os homens que chegaram à nossa base e souberam que o nosso governo assinou a rendição. Mas que mesmo assim foram condecorados com medalhas de bravura. O nome deles foi gravado atrás de uma medalha exposta em uma das galerias do exército como soldados com tenacidade. E assim estava gravado:
"Congratulações aos soldados Amor, Sinceridade e Saudade. Bravos soldados que cumpriram sua missão independente do que os abateu. Soldados que serão sempre lembrados pelos seus companheiros que perderam nas batalhas."
E o que eu vejo daqui onde estou, é meramente uma batalha vencida em uma guerra perdida. Onde não há mocinhos e bandidos. Apenas uma batalha motivada pela honra e comprometimento de um exército que lutou por um ideal. Um ideal nobre que não chegou a ser concretizado.
A situação do meu batalhão é precária, pois estamos envolvidos pela fome e pelo desgaste. Um dos nossos melhores atiradores foi abatido ontem pela tarde. Ele continua nos apoiando na batalha, mas não acho que ele vá conseguir sobreviver.
As perdas estão mais constantes que nunca. A vitória está nos deixando a cada minuto, mas estamos honrando as nossas posições diante da batalha. Dois de nossos companheiros não conseguiram se salvar. A cada momento o soldado Saudade fala sobre eles. Foi o cabo Determinação e o tenente Inspiração que foram atingidos. Dois bons soldados que não sobreviveram.
Eu estou tentando fazer com que meus homens não se abalem, mas está complicado. Essa tarefa não parece ter um modo certo para que eu consiga. Nós que, como soldados, prometemos honrar o nosso uniforme e realizar uma missão estamos hesitando. Repensando sobre valores e metas. Escutei um tiro. É o aviso que outra luta está por vir.
Hoje é dia 10 de abril de 2010. Eu fui abatido. A única coisa que me mantém são é conversar com meus companheiros e focar na minha escrita. A morfina já está acabando e eu não sei como será quando eu sentir essa dor toda.
A batalha de ontem foi muito difícil. Parece que a cada dia surgem mais reforços e novos meios de ataques. Com isso, perdemos mais um bom soldado. Um amigo do soldado Saudade. Este, que não se conforma com a perda. Era o soldado que mais motivava o grupo. O nome desse bravo soldado era Paixão.
A cada dia que passa um de nós é morto na troca de tiros ou até mesmo por um descuido durante a noite. Isso me preocupa. O meu batalhão diminuiu drasticamente em dois dias. E ainda temos que segurar as tropas vindas do norte.
Dia 11 de abril de 2010. As tropas chegaram com reforços e salvaram o meu batalhão. Foi uma bela manhã de domingo. Nós acabamos cumprindo a nossa missão. É uma vitória que não se compara com a guerra, mas nos faz ser duplamente vencedores. Nós vencemos e sobrevivemos.
Meu batalhão volta para a base. O grupo era formado por 15 homens. Agora só restam 3. Uma pena terem morrido tantos bons homens, mas ao menos os que sobraram honraram a morte dos outros.
E eu que fui abatido ontem escrevi isso sem saber do dia de hoje. Eu somente apostei que isso se realizasse. Talvez eu nem tenha acertado. Talvez meramente me prendi a um sonho que tive minutos antes da morfina acabar e eu saber que ia morrer. Agora eu estou entre os companheiros que deixaram a batalha.
O que me deixa triste é que em guerras não existem lapides. Mas se a minha família quiser comprar uma que seja simbólica eu gostaria que estivesse escrito:
Esperança
2009 - 2010
"Abatido em combate para salvar seus companheiros."
Quem eu salvei? Os homens que chegaram à nossa base e souberam que o nosso governo assinou a rendição. Mas que mesmo assim foram condecorados com medalhas de bravura. O nome deles foi gravado atrás de uma medalha exposta em uma das galerias do exército como soldados com tenacidade. E assim estava gravado:
"Congratulações aos soldados Amor, Sinceridade e Saudade. Bravos soldados que cumpriram sua missão independente do que os abateu. Soldados que serão sempre lembrados pelos seus companheiros que perderam nas batalhas."
E o que eu vejo daqui onde estou, é meramente uma batalha vencida em uma guerra perdida. Onde não há mocinhos e bandidos. Apenas uma batalha motivada pela honra e comprometimento de um exército que lutou por um ideal. Um ideal nobre que não chegou a ser concretizado.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Cheio querendo estar vazio.
Pela primeira vez na minha vida eu quis ser uma máquina. Não ter que me preocupar com sentimentos tais como esperança e amor. Sentimentos esses seriam meramente uma equação sem variáveis relevantes a ponto de haver de fato uma fórmula para o calculo.
É tão ruim me pegar revirando fotos antigas na minha memória. Fotos. Não são mais imagens postas em movimento que me fazem lembrar. Só imagens estáticas que foram extraídas de uma câmera após um flash. Ao menos deveriam ser assim até eu lembrar algumas delas.
Estou cansado de lembrar coisas que deveriam ser boas. O verbo ter se tornado um verbo do passado faz com que cada uma dessas lembranças me faça chorar. Não por eu lembrar delas. Apenas por não mais poder vivê-las.
Não estou generalizando e falando de qualquer memória que tenho. Eu não choraria ao lembrar a primeira vez que andei de bicicleta ou do meu primeiro beijo. Eu fico triste ao lembrar DELAS. Pois é. Eu que sempre tento continuar andando me vejo parado de frente para uma parede onde só existem fotos delas.
Não é tão ruim lembrar delas por um lado. Porém, por outro é desesperador. Eu ainda lembro-me do perfume de uma delas, do beijo de outra, e dos cabelos de outra entre os meus dedos ao passar a mão pela nuca dela. Esses fatos não me fazem mal algum. Consigo viver com cada um deles com serenidade.
Os fatos ruins são trazidos após o esquecimento. Quando eu acho que esqueci, mas apenas consegui omitir certos fatos de mim mesmo. Tal como a risada de uma delas. Uma dessas com quem me envolvi sentimentalmente. Uma risada feliz e contagiante que fez de mim um poeta triste e amargo, talvez. Ela sorriu e eu sorri de volta. Ela sentia alegria e eu inveja e mágoa.
O que foi dito na conversa não importa. Nada ali me ajudou. O que eu disse para mim mesmo que deveria importar. Mas o máximo que eu consegui foi pensar na frase clichê "umas se ganha, outras se perde" e "acontece".
O que me faz querer me tornar vazio tal como uma máquina? O fato dela estar feliz e saber que ao contar a ela a minha infelicidade ela deixará de ser feliz. Sendo vazio, o meu estado sentimental seria inexistente e faria com que ela não fosse afetada.
No fim das contas eu entendo aquela história melosa que diz: "quero que ela seja feliz mesmo que com outro". É história de perdedor, corno, fraco... Todos esses são desistentes, pois ao desistir nada mais consumirá a mente deles. Eles simplesmente abdicam do compromisso que tem com o sentimento.
Pena eu não conseguir fazer isso por ser esperançoso, paciente (odeio esperar, mas tenho), calmo e apaixonado. Ainda apaixonado. Eu preferia ser simplesmente fraco. Eu perderia e desistiria. Mas agora estou eu aqui. Perdi, mas quero lutar. Só preciso de uma chance. Mas não sei se acredito que a terei.
É tão ruim me pegar revirando fotos antigas na minha memória. Fotos. Não são mais imagens postas em movimento que me fazem lembrar. Só imagens estáticas que foram extraídas de uma câmera após um flash. Ao menos deveriam ser assim até eu lembrar algumas delas.
Estou cansado de lembrar coisas que deveriam ser boas. O verbo ter se tornado um verbo do passado faz com que cada uma dessas lembranças me faça chorar. Não por eu lembrar delas. Apenas por não mais poder vivê-las.
Não estou generalizando e falando de qualquer memória que tenho. Eu não choraria ao lembrar a primeira vez que andei de bicicleta ou do meu primeiro beijo. Eu fico triste ao lembrar DELAS. Pois é. Eu que sempre tento continuar andando me vejo parado de frente para uma parede onde só existem fotos delas.
Não é tão ruim lembrar delas por um lado. Porém, por outro é desesperador. Eu ainda lembro-me do perfume de uma delas, do beijo de outra, e dos cabelos de outra entre os meus dedos ao passar a mão pela nuca dela. Esses fatos não me fazem mal algum. Consigo viver com cada um deles com serenidade.
Os fatos ruins são trazidos após o esquecimento. Quando eu acho que esqueci, mas apenas consegui omitir certos fatos de mim mesmo. Tal como a risada de uma delas. Uma dessas com quem me envolvi sentimentalmente. Uma risada feliz e contagiante que fez de mim um poeta triste e amargo, talvez. Ela sorriu e eu sorri de volta. Ela sentia alegria e eu inveja e mágoa.
O que foi dito na conversa não importa. Nada ali me ajudou. O que eu disse para mim mesmo que deveria importar. Mas o máximo que eu consegui foi pensar na frase clichê "umas se ganha, outras se perde" e "acontece".
O que me faz querer me tornar vazio tal como uma máquina? O fato dela estar feliz e saber que ao contar a ela a minha infelicidade ela deixará de ser feliz. Sendo vazio, o meu estado sentimental seria inexistente e faria com que ela não fosse afetada.
No fim das contas eu entendo aquela história melosa que diz: "quero que ela seja feliz mesmo que com outro". É história de perdedor, corno, fraco... Todos esses são desistentes, pois ao desistir nada mais consumirá a mente deles. Eles simplesmente abdicam do compromisso que tem com o sentimento.
Pena eu não conseguir fazer isso por ser esperançoso, paciente (odeio esperar, mas tenho), calmo e apaixonado. Ainda apaixonado. Eu preferia ser simplesmente fraco. Eu perderia e desistiria. Mas agora estou eu aqui. Perdi, mas quero lutar. Só preciso de uma chance. Mas não sei se acredito que a terei.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Últimas palavras.
E começou(ou terminou) assim:
-Eu ouvi você chamar. Não precisa me apressar, já estou indo. Eu sei que você não quer esperar que eu vá ao seu encontro, mas eu preciso resolver umas coisas. Que coisas? Eu preciso terminar de escrever o que eu estou escrevendo. Não é nada de mais. Vou ler para você. Diz assim:
"Já não consigo mais. Está tudo tão desfocado na minha vida que eu não enxergo mais nada. Vejo que eu não vou conseguir suportar isso nem mais um minuto. Então cederei aos desejos obscuros e fúnebres e deixarei tudo para trás.
Não sintam pena de mim ou algo do gênero. Vocês são ótimos. Quando eu digo "vocês" não se remete somente a quem encontrar essas carta e mostrar para outra pessoa, mas me refiro a amigos e família.
O motivo de tudo estar assim é por eu me sentir só e não poder mais lidar com isso. Sinto falta de paixões, amores e conquistas. Nada além disso, porém não mais consigo tê-los e isso me faz querer tomar esse rumo.
Gostaria de dizer para todas que amei que eu lembrarei de cada uma e para todas que eu disse que não amei ou me equivoquei que me desculpem. Para os amigos quero dizer que todos são ótimos. Não foram vocês que me fizeram tomar a decisão que eu tomei, relaxem. Foi a minha vida que fez isso comigo. E para a minha família quero dizer que sentirei saudade, mas não levem isso como uma ironia de quem devia ter ficado e vivido essa saudade. Eu nunca consegui. Me desculpem por isso."
-Como ficou até agora? Eu sei que não está muito bom, mas tenho uma idéia sobre algo para escrever além disso. Algo poético... Como:
"Pensamentos transitam minha cabeça me deixando inquieto e inseguro. Uma visão turva de um mundo onde não mais consigo ver imagens puras. Somente vejo rachaduras e lágrimas. Eu momentos simples e corriqueiros sinto-me sendo observado e possuído pela hesitação. Vejo meu reflexo em lâminas e quase não consigo me conter ao ver cordas que ficariam lindas em torno do meu pescoço. Somente nessas horas imagino um momento de libertação, mas também de perda. Fico confuso e ludibriado. Não consigo me mover normalmente, pois me deixo levar por esse sentimento amargo. Um gatilho, uma bala, um rumo que eu tomei e não sei se me arrependerei."
-Eu sei que eu não tenho uma arma. Eu só quis escrever algo poético e dramático. Você é muito detalhista, morte. Cale a boca e deixe-me tirar meus óculos e abrir a janela. Ah... Muito engraçada essa piada sobre pássaros. Mas eu não pretendo aprender a voar. Meu objetivo é cair. Sim... Isso foi frio. Você deve saber.
Uma janela se abre, escuta-se alguém correndo e se lançando para fora do 14º andar. Foram péssimos 3 segundos.
-Eu ouvi você chamar. Não precisa me apressar, já estou indo. Eu sei que você não quer esperar que eu vá ao seu encontro, mas eu preciso resolver umas coisas. Que coisas? Eu preciso terminar de escrever o que eu estou escrevendo. Não é nada de mais. Vou ler para você. Diz assim:
"Já não consigo mais. Está tudo tão desfocado na minha vida que eu não enxergo mais nada. Vejo que eu não vou conseguir suportar isso nem mais um minuto. Então cederei aos desejos obscuros e fúnebres e deixarei tudo para trás.
Não sintam pena de mim ou algo do gênero. Vocês são ótimos. Quando eu digo "vocês" não se remete somente a quem encontrar essas carta e mostrar para outra pessoa, mas me refiro a amigos e família.
O motivo de tudo estar assim é por eu me sentir só e não poder mais lidar com isso. Sinto falta de paixões, amores e conquistas. Nada além disso, porém não mais consigo tê-los e isso me faz querer tomar esse rumo.
Gostaria de dizer para todas que amei que eu lembrarei de cada uma e para todas que eu disse que não amei ou me equivoquei que me desculpem. Para os amigos quero dizer que todos são ótimos. Não foram vocês que me fizeram tomar a decisão que eu tomei, relaxem. Foi a minha vida que fez isso comigo. E para a minha família quero dizer que sentirei saudade, mas não levem isso como uma ironia de quem devia ter ficado e vivido essa saudade. Eu nunca consegui. Me desculpem por isso."
-Como ficou até agora? Eu sei que não está muito bom, mas tenho uma idéia sobre algo para escrever além disso. Algo poético... Como:
"Pensamentos transitam minha cabeça me deixando inquieto e inseguro. Uma visão turva de um mundo onde não mais consigo ver imagens puras. Somente vejo rachaduras e lágrimas. Eu momentos simples e corriqueiros sinto-me sendo observado e possuído pela hesitação. Vejo meu reflexo em lâminas e quase não consigo me conter ao ver cordas que ficariam lindas em torno do meu pescoço. Somente nessas horas imagino um momento de libertação, mas também de perda. Fico confuso e ludibriado. Não consigo me mover normalmente, pois me deixo levar por esse sentimento amargo. Um gatilho, uma bala, um rumo que eu tomei e não sei se me arrependerei."
-Eu sei que eu não tenho uma arma. Eu só quis escrever algo poético e dramático. Você é muito detalhista, morte. Cale a boca e deixe-me tirar meus óculos e abrir a janela. Ah... Muito engraçada essa piada sobre pássaros. Mas eu não pretendo aprender a voar. Meu objetivo é cair. Sim... Isso foi frio. Você deve saber.
Uma janela se abre, escuta-se alguém correndo e se lançando para fora do 14º andar. Foram péssimos 3 segundos.
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